Literatura

”Estamos condenados a sonhar” – Machado de Assis

Quando lemos o conto Uns Braços, que conclusão podemos chegar além da que diz encontrar na obra machadiana a melhor ilustração do poder do sonho? Não tinha jeito de o destino unir Inácio e Severina. Ele era só um menino, um ”cabeça de vento”; Ela, embora dotada do traço mais perigoso das mulheres belas, isto é, de uma certa meninice, era casada, uma ”dona” de 27 anos. Essa história não poderia passar nem do ”quase felizes por seis meses”! Mas o que é o sonho humano na obra de Machado de Assis? Simples: sonhar é algo tão bom, mas tão bom, que é possível que faça mais bem ao infeliz que ao feliz. O limite dessa felicidade? Em outras palavras: até onde o sonho pode nos levar? Bem, Machado de Assis foi inteligente o suficiente para não se preocupar com isso. Antes que um adivinho, foi filósofo. Com isso, entende-se porquê Inácio, mesmo com esse amor fracassado e outros amores mais ”efetivos e longos”, disse que ”nenhuma sensação achou igual à daquele domingo”. Entende-se, portanto, porquê ele repetiu ao longo da sua vida ”E foi um sonho! um simples sonho!”.

Isaias Bispo de Miranda

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