Brasil

O que será do Brasil?

Querem que aceitemos os políticos que estão aí. Temos de aceitar o roubo, a incompetência e a desonestidade porque ”político não dá em árvore”. ”E se nos transformarmos em um país governado por aventureiros?”, continuam. À essa gente, simplesmente podemos dizer: não nos subestimem! Somos o Brasil do Machado de Assis e do Villa-Lobos. Pelos nossos trenzinhos caipiras transportamos Tom Jobim e Manuel Bandeira, seja para a Gamboa ou Nova York. Por esses mesmos trilhos recebemos o que tinha de melhor em Okinawa, Frankfurt, Maputo, Beirute: suas pessoas. Não digam aos nossos mais de 200 milhões de sonhadores que não podemos fazer melhor e melhor!

Isaias Bispo de Miranda

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O que é que nos falta? – Um guia para os nossos jovenzinhos

”Precisamos de mais estado ou mais mercado?”. ”Não será que o nosso estado está inchado?”. ”Mas e o mercado? Ele já não vem interferindo demais nas nossas políticas públicas?”. ”Devemos deixar nosso capitalismo gerar tantos pobres e desempregados?”.

Quem conhece um pouco de Brasil, não entra em uma discussão dessas. Falta-nos tudo! Ao menos quase tudo, porque sem-vergonhice e canalhice andamos tendo de sobra.

Capitalismo, aqui, é o de compadrio. Aquele que casa bem na velha história da ‘’privatização dos lucros e socialização dos prejuízos’’. E os serviços públicos tornam-se discussão secundária quando nos deparemos que o estado brasileiro tem problemas até para cumprir sua função número um.

Falo mais sobre o estado para voltar ao ”tudo” que precisamos.

O estado, como nos ensinam no ensino médio, é o detentor do monopólio da violência autorizada. Entregamos-lhe as nossas armas e em troca ele nos mantém seguros. Juntos escolhemos o modo como devemos viver, dizemos o que é certo e errado e o fixamos sob a forma da lei.

Mas e quando as forças que deveriam cuidar de nós e nos levar à justiça acabam sendo quem nos fere e nos impede de a acessarmos? Em outras palavras: e quando achamos que viveríamos igual ou melhor sem o estado? Não é essa a realidade no Morro da Maré, na Favela da Rocinha ou em qualquer outra periferia?

Quando o estado age como um bandido, ele perde a razão de ser. Nesse momento, a própria população acaba não o reconhecendo como legítimo. No limite, nos armamos contra ele, ou seja, contra as nossas próprias armas. Lutamos contra nós mesmos. Ocorre então uma guerra civil. Uma sociedade assim leva o nome de uma sociedade ‘’em anomia’’, o que pode ser entendido como ”em dissolução”.

É evidente que todos concordamos que o estado deve ser mais que um segurança. Não dá para admitir que uma criança, um idoso, um desafortunado, tenha de depender da piedade alheia para sobreviver. Afinal, essa não é a condição de alguém que possa sair à caça, comer a carne e ainda vender o que sobrar. Mesmo que fosse, ninguém gostaria de viver em uma sociedade assim. Queremos mais. Bem mais.

Um sobrevivente é quem, antes de tudo, vive! Nossos semelhantes, independentemente de como eles caiam no jogo da vida, devem poder viver dignamente e de modo a poder desenvolver suas potencialidades. Para isso, construímos coisas básicas que, para existirem, não necessitem da deliberação de uns ou outros, muitos ou poucos. Construímos escolas, hospitais, universidades, previdência pública etc, com pretensão que todos possam usá-las. Damos-lhes o nome de ”serviço público básico”, a base do chamado welfare state ou estado de bem-estar social.

Para termos um welfare state, necessitamos de gente, muita gente, construindo escolas, dando aula, puxando a orelha de um peralta. E a maneira que as convencemos a fazer isso é trocando seus serviços por dinheiro. Trabalhando por um salário.

Mas uma sociedade não vive só de serviços básicos! Queremos o luxo também! Talvez o luxo seja até mais importante que o básico! Nossas garagens, casas, quartos, geladeiras, guarda-roupas estão sempre dizendo ”me encha sempre para eu sempre te encher de felicidade”. Compramos esses itens no mercado com o dinheiro do nosso trabalho. E o trabalho, assim, se mostra essencial para existir uma sociedade em que valha a pena vivermos .

É aqui que esquerda e direita pecam. Tropeçam nas suas ideologias.

A direita costuma dizer que, caso não queiramos um bolo de padaria para o Brasil inteiro, devemos crescer o bolo para podermos dividi-lo em pedaços maiores depois. Com a alta carga tributária, acrescentam, estamos impedindo que o nosso bolo cresça. Isso significa que não estamos tendo tanto dinheiro quanto poderíamos ter. ”Sem dinheiro, sem bem-estar social”.

A direita, nesse caso, possui parte da verdade porque erra em parte: o estado brasileiro não está inchado, mas com excesso de gordura na barriga. A bem da verdade, nosso estado está mais próximo de um excesso de pontos com gordura localizada.

Naturalmente, não é de menos capitalismo que precisamos, tal como acha a esquerda. É de mais capitalismo para mais bem-estar social! Menos capitalismo? Só se for do capitalismo à brasileira, com o nosso dinheiro indo para quem mais tem!

A sociedade brasileira, como podemos ver, não é só um bolo, mas toda uma confeitaria.

Sabendo de tudo que foi dito anteriormente, resolveremos quase todos os nossos problemas. O embate ”mercado x estado” ganhará uma forma mais útil aos que conflitam liberdade x igualdade.

Porém, por que eu digo ”quase todos os nossos problemas”? Quem estudou a Revolução Francesa na escola, lembra que o lema da revolução era liberdade, igualdade e… fraternidade! Eis o ingrediente para tirarmos nossa confeitaria da esquina e a levarmos para o Shopping Iguatemi.

Não somos só egoístas que trabalham para consumir e, mesmo que nos demos mal por algum motivo, podemos viver razoavelmente por conta de um aparato de proteção social. Envolvemo-nos em doações de tudo que é tipo. Cuidamos de projetos culturais os mais variados, com ou não grande importância social. Seja enviar dinheiro para o Médico Sem Fronteiras, ajudar que um abrigo de cães funcione ou manter um museu de videogames antigos.

É preciso salientar que isso nada tem a ver com ”neoliberalismo ou social-democracia”, ”mais ou menos estado”. Está para além dessa discussão.

Você, empresário, pode cuidar da alimentação das crianças de uma creche da sua cidade. Você, governante, pode fazer com que nossos impostos (ou parte deles) possam ser direcionados à itens de nossas escolhas (algo como um imposto inteligente*).

Por que não utilizarmos da proatividade, da vocação ao criar e ao cuidar? Por que não aproveitarmos nossa capacidade em sermos generosos?

Vivermos bem, termos uma sociedade que ajude todos a viverem bem e ainda nos orgulharmos de, mais que trabalhadores e contribuintes, sermos benfeitores. É o que falta ao Brasil. Pessimista algum botaria defeito.

Isaias Bispo de Miranda 

* A discussão acerca do tema da generosidade e como isso pode levar ao ”imposto inteligente” encontra-se na obra do filósofo alemão Peter Sloterdijk, o mesmo que aparece na imagem ao lado. Quer saber sobre o assunto? Veja Aqui!

Bresser-Pereira quer que as mulheres continuem apanhando

Bresser-Pereira quer que as mulheres continuem apanhando dos seus namorados. Explicou: ‘’Você, mulher, não é melhor o seu namorado que te bate mas te assume como parceira a um outro cara que você não tem a mínima ideia de como será? Seu atual te leva e trás dos passeios. Te dá um bofetão, mas te compra um presente todo natal. Agora imagine se você trocar ele por um que além de agressor for um estuprador? Pode ser um daqueles que te violenta sem camisinha!’’

Veja a seguir a versão integral:

O acordo necessário

O indiciamento de mais 120 políticos, inclusive Fernando Henrique e Lula, mostra que a Operação Laja Jato tende a destruir toda a classe política brasileira. Muitos dirão que isto é “ótimo”, porque os políticos brasileiros são “todos”, ou “praticamente todos”, corruptos. E porque não há dificuldade em substituí-los. Mas estas duas crenças são falsas.

Primeiro, não é verdade que os políticos possam ser facilmente substituídos. Seria bom que muitos o fossem, mas será péssimo que os melhores políticos brasileiros, independentemente de sua cor ideológica, sejam desmoralizados e excluídos da vida pública. A profissão política é a mais importante das profissões, porque são os políticos que fazem as leis e conduzem o Estado; porque são eles que governam. Não se fazem políticos de um dia para outro. Um dia destes vi a entrevista de uma página inteira na Folha de um homem de televisão muito bem-sucedido, sr. Huck, que dizia que estava na hora de pessoas de sua geração assumirem o poder. Concordei com a afirmação, que estava no título, e decidi ler a entrevista. Uma coisa patética. Não havia uma ideia sobre o Brasil; uma ideia sobre o mundo. Apenas autoelogios e considerações vazias sobre a hora de sua geração.

Segundo, não é verdade que todos os políticos são corruptos. Pelo contrário, estou convencido que a grande maioria é honesta, inclusive alguns políticos já condenados pelo Mensalão, como José Genoíno (que conheço bem e admiro) e João Paulo Silva (que não conheço). Agora, no quadro do Lava Jato, é ridículo afirmar que políticos como Fernando Henrique, Lula, e Alckmin são corruptos. E, no entanto, o Judiciário, aplicando a lei, tende a também condená-los.

Por que condenar inocentes? Porque, segundo a lei, o ato receber doações para campanha ou como presente, sem oferecer em troca obra ou emenda – não sendo, portanto, propina –, é, não obstante, ilegal e pode ser entendido como corrupção. Mas não é, não é crime, porque a prática de se receberam doações e presentes sem que o político e a empresa fizessem o devido registro do fato fazia parte dos usos e costumes do país. A partir do Lava Jato e do susto que está causando nos políticos, não fará mais. E será preciso definir um limite para o valor dos presentes, como acontece em outros países. Mas não faz sentido agir retroativamente, considerar políticos eminentes como corruptos, e condená-los.

A imprensa hoje informou que os principais políticos dos principais partidos brasileiros estão se organizando para enfrentar o problema. Isto é mais do que necessário. A solução é a anistia do caixa 2 e regulamentar os presentes. É dar ao Judiciário uma lei que lhe permita não causar uma violência contra o Brasil. 

Será que Bresser-Pereira já namorou? Se ele fosse mulher, aceitaria um namorado assim e viveria com ele ”felizes para sempre”?

Isaias Bispo de Miranda

 

Por que não devemos desistir do Brasil?

Faltando alguns minutos para ser executado, um velho escutou do seu carrasco: ‘’Deseja dizer alguma coisa antes de morrer?’’. O velho parou para pensar e respondeu: ‘’Quero que chovam rosas, tulipas e margaridas! Milhões delas!’’. Foi o suficiente para, passado o espanto, o carrasco gargalhar. ‘’E o que mais você quer? Que as estrelas desçam ao mundo? Que sua mãe saia do túmulo para te consolar? Que seu pescoço não quebre e que você não sinta o gosto da morte quando estiver sufocando?!‘’, zombou. Eis que, com todo o ímpeto, o velho replicou: ‘’Também quero que para cada rosa caída, um homem possa amar em paz! Que hajam mais cidades livres que tulipas! E que os dias felizes nas vidas dos homens sejam tão numerosos quanto as pétalas das margaridas!’’. Não sei se um dia o desejo do velho se cumprirá no Brasil. Mas que certamente podemos dar um belo jardim às nossas crianças, isso Holambra nos confirma.

Isaias Bispo de Miranda

Realizando o Brasil

Isaac Newton disse no seu Philosophiae Naturalis Principia Mathematica que, ‘’se eu pude ver mais alto, foi porque subi em ombros de gigantes.’’ Ora, nós, os que de Newton e gigante temos somente amores em comum, jamais devemos nos desanimar! Não porque – tal como sonham os preguiçosos! –, com a tecnologia, haveremos de criar escadas – ou até elevadores! – que nos levarão à altura. Mas, sim, porque uma solução pode estar em todo bípede-sem-penas capaz de levantar a cabeça e olhar o céu. Esse bípede-sem-penas verá que, embora tenha apenas duas mãos e o sentimento do mundo, não precisa parar de usar seus olhos e sonhar.

Isaias Bispo de Miranda

PEC à esquerda!

Quando FHC disse que não era preciso ser burro para ser de esquerda, talvez tenha feito mais pela inteligência brasileira do que fez em todo o seu governo. Duvidam? Peguem um exemplo de agora, o da PEC 241.

A ideia de um teto nos gastos públicos federais tem nos levado a um problema que está mais para um enigma. Este: quando e como instituímos um teto na mente da esquerda brasileira? E seu limite, qual foi? Um que livrou ela do trabalho de precisar usar a massa cinzenta?

Não há Sérgio Buarque ou Gilberto Freyre capaz de resolver isso aí! Mas há o bom senso. E tendo Descartes razão ao considerá-lo a coisa mais bem distribuída entre os homens, temos algumas pistas para o nosso enigma.

Todo mundo sabe que a PEC é arriscada. Ela se propõe a fazer uma reforma de longo prazo numa importância que não é qualquer coisa. São 20 anos para administrarmos o dinheiro federal com um controle nunca visto em nossa história. E esse dinheiro, sabemos, não é outro senão o do orçamento com a cara de um governo que mal permitiu que as suas universidades pagassem as faxineiras. Mas por que se quer esse teto? Serão os ventos do neoliberalismo querendo derrubar nossa fraca cabana social-democrata?

Se há um neoliberalismo aqui, pode dizer um defensor do teto, é aquele que não quer ver a previdência dando calote nos aposentados, os trabalhadores desempregados e o SUS e o Bolsa Família na lixeira do Planalto! E como se pretende não deixar que isso aconteça? Simples: reduzindo-se o gasto por um longo tempo, paga-se a dívida aos poucos fazendo com que a confiança dos empresários cresça, novos investimentos se realizem e novos empregos sejam gerados.

E quanto ao Estado? Se a economia cresce, a arrecadação de impostos também. Todavia mais importante do que isso é que, com a PEC, não precisaremos fazer grandes cortes. Não é esse o grande custo do ajuste fiscal? Ela parece ser a melhor saída que temos!

Mas esse não é um preço alto demais para se pagar numa ideia tão ousada? Por 20 anos! A esquerda que insiste nisso é qualquer coisa, menos brasileira. Aliás, parece estar em outro mundo! Talvez seja marciana. Ou quem sabe… maionesiana? Provavelmente, já que está deixando de lado como a política terráquea funciona.

Michel Temer até pode governar sem se preocupar com popularidade. Mas os outros políticos, só com a força dos votos. Só tem votos aquele que melhorou ou pretende melhorar minha vida. Foi assim que Lula ganhou dois mandatos e ainda garantiu a eleição de sua sucessora. Bem, até aqui, obviedades da política! Pão francês e queijo muçarela! O que mais a dizer? O óbvio ululante: quem me faz mal, não só não tem meu voto como ganha um voto contrário.

É nessa hora que o militante de esquerda falha. Não por ser contra a ideia que ‘’acaba com a saúde e a educação’’, mas por não raciocinar que, se ele estiver certo e a PEC não diminuir o desemprego, a economia não crescer e os serviços públicos piorarem, os políticos que manterem a permanência desse teto estarão deixando suas carreiras de lado para os que virão contra ela! Da mesma forma como os brasileiros estão rejeitando o PT por acharem que ele significa desemprego e piora das suas vidas!

Tudo isso não é óbvio? Então por que o estardalhaço?

Será o medo pelo que Temer, o sinistro, será capaz de fazer? A volta do neoliberalismo e a solidificação do fascismo no Brasil? Ou será porque a oposição à PEC vem justamente do partido do homem mais honesto do mundo? Talvez seja só uma bestialização mesmo, de gente que se inteira de economia com Gregório Duvivier, que não leu a PEC.

Isaias Bispo de Miranda – Carapicuíba, 15 de outubro de 2016.

”Japonês” dá aula de lógica a brasileiros

Lógica e educação, no Brasil, são duas coisas que nunca andam juntas. Primeiro porque algo como ”educação” e ”andamento”aqui, em uma mesma frase, é uma contradição em termos. Quanto a lógica… Bem, as consequências disso já dizem tudo, não? Mas como para todas as coisas, fora petistas e bolsonaretes, há jeito, chamaram um professor lá de Cingapura para dar uma aula básica de lógica à nossa Patria Educadora. Vejam! 

Perguntado pelo Augusto Nunes, no Roda Vida, sobre qual foi a coisa mais importante para Cingapura atingir o melhor resultado no Pisa, o ex-diretor do Instituto Nacional de Educação do país respondeu que em primeiro lugar é a qualidade dos professores, claro! Como isso é possível? Trazendo os bons alunos para a docência!

Agora já é possível imaginar uma pedagoga do Alckmin perguntando: ”Será que dar duas coxinhas e uma Pepsi ajuda?” Algumas falas dos entrevistadores foram quase assim. Acreditem! Porém, nem bem precisou ser questionado com o ”como?” e Lee Sing Kong disse: ”Se faz deixando a profissão de professor com o mesmo grau de importância das outras profissões mais importantes. E para isso, o salário inicial de um professor deve ser igual o inicial de um engenheiro e um contador (Lee também é um professor!).

E não é que o cara conseguiu? Por a + b! Mas e agora? Será que depois disso vamos considerar a lesson 1 do Logic Basics 101? Será que conseguiremos? Ou nosso analfabetismo funcional estragou nossas mentes de vez?

Isaias Bispo de Miranda – Carapicuíba. 20 de maio de 2016. Escrito para o blog Delírios Intempestivos.