Pondé, o doente

Abro o Twitter e vejo Luiz Felipe Pondé dizer algo mais ou menos assim:

‘’A grande lição que o povo judeu nos deu foi que, enquanto você fica aí reclamando dos canudos plásticos e da alimentação carnívora, você poderia estar é agradecendo pela vida dada por Deus.’’

Nada de novo vindo de quem vem. Pondé é o cara que toma ‘’mudança’’, ‘’hipocrisia’’ e ‘’esquerda’’ como sinônimos. Então basta ver algum tipo de reivindicação por melhoria do mundo que abrirá sua boca de jacaré para dizer: ‘’a esquerda hipócrita, que insatisfeita consigo mesma joga a bola do incômodo para o mundo’’.

Pondé parece sofrer de alguma patologia que, num primeiro momento, se apresenta em 2 sintomas:

1) Debilidade lógico-retórica.

Pondé reclama da insatisfação da esquerda para com o mundo. Repete como um rádio quebrado ser ‘’contra o mundo melhor’’. Está sempre… insatisfeito com os insatisfeitos! E a insatisfação daquele que vê na insatisfação o grande problema do mundo é tão grande, mas tão grande, que ele se esquece da existência da lógica. Imaginem uma figura berrando aos ventos que o grande problema do mundo são as pessoas que gritam. Esse é o Pondé!

2) Cinismo sociopata

No escritório do seu apartamento em Perdizes ou em algum outro bairro da classe média paulistana, Pondé deixa visível uma caixa de charutos cubanos. É nesse cenário meio blasé que ele grava seus vídeos e escreve artigos que, a fim e a cabo, reafirmam a ideia do que ele diz ser seu tragicismo. A vida é sempre miserável. E quando alguém tenta mudar isso ou falha ou acaba deixando a vida ainda pior. Pondé parece querer performar uma releitura da Maria Antonieta: ‘’Estão famintos? Deem-lhes biscoitos da sorte. Quem sabe eles não peguem frases do tipo ‘o mundo é ruim, agradeça o que tem’’. Eis seu cinismo. E uma vez possuindo uma obsessão em odiar não só os pobres (odeia a classe média que o rodeia, dos que ele diz quererem o mundo melhor), Pondé parece não se importar é com a vida humana. Seu cinismo ganha odores de sociopatia.

Qual será, então, o problema de Pondé? Que doença é essa que vem devorando seu cérebro e exalando um odor asqueroso por toda a parte?

Não sabemos dizer qual é a doença de Pondé. Aliás, tenho a impressão de que será muito difícil alguém o conseguir. O material patológico a ser analisado necessita de profissionais com estômago de aço – coisa que eu estou longe de possuir. Mas se tem uma coisa que podemos afirmar com convicção é em relação à mortalidade do caso: sim, é extremamente mortal.

É intuitivo que uma doença devoradora de cérebro acabe por levar, hora ou outra, à morte. Também não podemos negar que há fedores tão ou mais assassinos quanto os mais sanguinários ditadores. Todavia, para além desses dois terríveis e destrutivos sintomas apresentados, há um outro que, liberto do corpo de Pondé e espraiado socialmente, pode levar à mais terrível das mortes: a desesperança. Talvez devêssemos considerá-la como a própria morte.

Isaias Bispo de Miranda – 14 de abril de 2021 – é estudante de filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

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