Lars von Trier de boca fechada

Não é pela violência que o cinema de Lars von Trier se constitui como um cinema de morte, embora, é claro, a violência seja parte dele.

Lars von Trier é o que é pois, na verdade, nada tem a nos dizer. Seus filmes são tão pálidos e desinteressados quanto suas personagens. E não à toa suas personagens são cadáveres ambulantes.

Alguém disse uma vez que as peças de uma obra são sempre as peças de um homem. Portanto, não é que não se possa separar vida e obra, mas, sim, que tal separação é completamente dispensável.

Lars von Trier ou Melancolia? Ninfomaníaca ou Lars von Trier?

Percebem como tal opção por um ou por outro dá no mesmo? É como se tivéssemos de escolher entre o nada e a coisa alguma. Um cadáver ou outro!

Mortos não falam. Lars von Trier e seus filmes muito menos. E por isso ambos se dão tão bem a ponto tornar inútil escolher entre a boca de um e a boca do outro.

Em Hollywood von Trier ganhou fama de ter mau hálito. ”Assistam-no em qualquer cinema e nem precisarão conhecê-lo!”, dizem alguns por lá. Mas quanto a isso, lembrem-se: a carniça é problema de quem lhe mete a fuça. E só dele!

E é utilizando os olhos e não o nariz que todos aqueles que assistem von Trier podem dizer que, em matéria de morte, estamos diante de alguém que destronou Chaplin e seu cinema mudo.

Isaias Bispo de Miranda – 26 de agosto de 2020. É estudante de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

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