Uma vida filosófica: a única vida que quero

Dizem que havia um pescador, lá pelos idos de 1800, que nunca em sua vida tinha deixado de ir pescar. Todos os dias, sem tirar e nem pôr, estava lá o pescador com sua vara e… Qualquer coisa, menos um peixe.

Então não era incomum que a todo momento uma criança ou mesmo um adulto lhe perguntassem com acidez: ‘’Por que todo dia? Você não se cansa? Se no lago vem falhando, que tal tentar na lama?’’

Tentando explicar a esquisita atividade do pescador, alguns diziam que era para exercitar a paciência. E não era difícil que complementassem dizendo que mais que paciente, o pescador queria entrar para história como aquele que enterrou a relação entre sua arte e a contação de mentiras.

Um dia, todavia, o pescador não apareceu. Seu lago que há muito lhe recebia chegou a fazer com que todos que por ali passassem não mais escutassem aquela terna canção que apresenta um homem vivo. O pescador, enfim, havia fisgado alguma coisa: a própria morte.

A morte do pescador causou comoção na cidade. Não tanto por conta da fatalidade – coisa que é mais comum entre os homens do que água entre os mares -, mas principalmente devido ao mistério que levaria consigo a sete palmos.

A saber:

 ‘’Qual o sentido de passar a vida atrás de peixes num lago em que se sabe nunca ter havido sequer vida?’’ – Disse um velho jardineiro.

Isaias Bispo de Miranda – 21 de julho de 2020. É estudante de filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

 

 

 

 

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