Beijar bem é sempre um problema

Beijo bom é assim: não se pede! Ou se dá ou se rouba. Mas não! Tem sempre que ter o bobão, o corta-clima, para perguntar ”posso te dar um beijo?”! Por que ele não pergunta logo se pode jogar um balde d’água na sua cabeça? É melhor! Bocas não aceitam pedidos de licença. Você, moça, e você, moço, quando se acidentar com esse tipo de imprudente, não se acanhe: diga um grande e forte “Não, Tonhão!”.

Perigo! Nesses tempos de caretice, só falta vir os tapados questionando se o que eu estou fazendo é defender o assédio ou a violência sexual! Ou pior, um desses caras lerdos cai aqui, nesse meu texto, e solta a pérola: ” Mas Isaias, como é que eu vou saber a hora certa? Não vou passar vergonha?”. Se você for um desses, saiba agora o motivo de estar solteiro: você beija muito mal.

Ganhar um beijo é que nem receber uma festa surpresa no seu aniversário. Vai dizer que você não achou estranho a escuridão e o silêncio em casa? E vai dizer também que a intenção dos seus próximos não foi justamente fazer você ficar com aquele adiantamento gostoso de ”Puxa! Estou para ser surpreendido!”? Trata-se de uma das melhores experiencias que se pode ter. Significa carinho, cuidado de quem é íntimo, de modo a repetir a sensação alegre de ”foi como se fosse a primeira vez”. Quem quer ganhar um beijo, age como quem quer uma festa surpresa.

É uma pena que os bailes escolares não sejam tão comuns como foram no Brasil e como ainda são nos EUA. Muita gente encontrava o amor da sua vida neles. Na pior das hipóteses, um parceiro que fizesse valer a pena o tempo empreendido na sala de aula e em casa, estudando. Os diretores e professores sabiam bem disso e não à toa transformavam esses bailes em eventos de grande porte. Claro, nem tudo eram flores! Meninos excitados por vezes forçavam um beijo aqui e ali. Não era difícil isso estar relacionado a alguma espécie de raiva. O soco que não se pode dar numa menina… Naturalmente, isso não é roubar um beijo.

São 23 horas e é anunciada a última dança do baile. Você é o garoto do primeirão que não virou o pegador, mas que deu umas beijocas, deu. Quando olha para trás, vê uma amiga, sentada, demonstrando uma certa tristeza. Talvez tenha ficado sem par. Você estava tão ligado nas garotas mais velhas que se esqueceu da sua amiga! Não perde tempo: a chama para dançar e… Suas línguas já estão dançando antes mesmo de você perceber. Tem uma perna levantando levemente e só isso que importa. E aí? Isso foi um beijo dado? Ou roubado? Nenhuma das opções são satisfatórias? Fica conosco, leitor, o problema do bom beijo.

Isaias Bispo de Miranda – 28 de outubro de 2017

 

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