PEC à esquerda!

Quando FHC disse que não era preciso ser burro para ser de esquerda, talvez tenha feito mais pela inteligência brasileira do que fez em todo o seu governo. Duvidam? Peguem um exemplo de agora, o da PEC 241.

A ideia de um teto nos gastos públicos federais tem nos levado a um problema que está mais para um enigma. Este: quando e como instituímos um teto na mente da esquerda brasileira? E seu limite, qual foi? Um que livrou ela do trabalho de precisar usar a massa cinzenta?

Não há Sérgio Buarque ou Gilberto Freyre capaz de resolver isso aí! Mas há o bom senso. E tendo Descartes razão ao considerá-lo a coisa mais bem distribuída entre os homens, temos algumas pistas para o nosso enigma.

Todo mundo sabe que a PEC é arriscada. Ela se propõe a fazer uma reforma de longo prazo numa importância que não é qualquer coisa. São 20 anos para administrarmos o dinheiro federal com um controle nunca visto em nossa história. E esse dinheiro, sabemos, não é outro senão o do orçamento com a cara de um governo que mal permitiu que as suas universidades pagassem as faxineiras. Mas por que se quer esse teto? Serão os ventos do neoliberalismo querendo derrubar nossa fraca cabana social-democrata?

Se há um neoliberalismo aqui, pode dizer um defensor do teto, é aquele que não quer ver a previdência dando calote nos aposentados, os trabalhadores desempregados e o SUS e o Bolsa Família na lixeira do Planalto! E como se pretende não deixar que isso aconteça? Simples: reduzindo-se o gasto por um longo tempo, paga-se a dívida aos poucos fazendo com que a confiança dos empresários cresça, novos investimentos se realizem e novos empregos sejam gerados.

E quanto ao Estado? Se a economia cresce, a arrecadação de impostos também. Todavia mais importante do que isso é que, com a PEC, não precisaremos fazer grandes cortes. Não é esse o grande custo do ajuste fiscal? Ela parece ser a melhor saída que temos!

Mas esse não é um preço alto demais para se pagar numa ideia tão ousada? Por 20 anos! A esquerda que insiste nisso é qualquer coisa, menos brasileira. Aliás, parece estar em outro mundo! Talvez seja marciana. Ou quem sabe… maionesiana? Provavelmente, já que está deixando de lado como a política terráquea funciona.

Michel Temer até pode governar sem se preocupar com popularidade. Mas os outros políticos, só com a força dos votos. Só tem votos aquele que melhorou ou pretende melhorar minha vida. Foi assim que Lula ganhou dois mandatos e ainda garantiu a eleição de sua sucessora. Bem, até aqui, obviedades da política! Pão francês e queijo muçarela! O que mais a dizer? O óbvio ululante: quem me faz mal, não só não tem meu voto como ganha um voto contrário.

É nessa hora que o militante de esquerda falha. Não por ser contra a ideia que ‘’acaba com a saúde e a educação’’, mas por não raciocinar que, se ele estiver certo e a PEC não diminuir o desemprego, a economia não crescer e os serviços públicos piorarem, os políticos que manterem a permanência desse teto estarão deixando suas carreiras de lado para os que virão contra ela! Da mesma forma como os brasileiros estão rejeitando o PT por acharem que ele significa desemprego e piora das suas vidas!

Tudo isso não é óbvio? Então por que o estardalhaço?

Será o medo pelo que Temer, o sinistro, será capaz de fazer? A volta do neoliberalismo e a solidificação do fascismo no Brasil? Ou será porque a oposição à PEC vem justamente do partido do homem mais honesto do mundo? Talvez seja só uma bestialização mesmo, de gente que se inteira de economia com Gregório Duvivier, que não leu a PEC.

Isaias Bispo de Miranda – Carapicuíba, 15 de outubro de 2016.

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