Mês: maio 2016

”Japonês” dá aula de lógica a brasileiros

Lógica e educação, no Brasil, são duas coisas que nunca andam juntas. Primeiro porque algo como ”educação” e ”andamento”aqui, em uma mesma frase, é uma contradição em termos. Quanto a lógica… Bem, as consequências disso já dizem tudo, não? Mas como para todas as coisas, fora petistas e bolsonaretes, há jeito, chamaram um professor lá de Cingapura para dar uma aula básica de lógica à nossa Patria Educadora. Vejam! 

Perguntado pelo Augusto Nunes, no Roda Vida, sobre qual foi a coisa mais importante para Cingapura atingir o melhor resultado no Pisa, o ex-diretor do Instituto Nacional de Educação do país respondeu que em primeiro lugar é a qualidade dos professores, claro! Como isso é possível? Trazendo os bons alunos para a docência!

Agora já é possível imaginar uma pedagoga do Alckmin perguntando: ”Será que dar duas coxinhas e uma Pepsi ajuda?” Algumas falas dos entrevistadores foram quase assim. Acreditem! Porém, nem bem precisou ser questionado com o ”como?” e Lee Sing Kong disse: ”Se faz deixando a profissão de professor com o mesmo grau de importância das outras profissões mais importantes. E para isso, o salário inicial de um professor deve ser igual o inicial de um engenheiro e um contador (Lee também é um professor!).

E não é que o cara conseguiu? Por a + b! Mas e agora? Será que depois disso vamos considerar a lesson 1 do Logic Basics 101? Será que conseguiremos? Ou nosso analfabetismo funcional estragou nossas mentes de vez?

Isaias Bispo de Miranda – Carapicuíba. 20 de maio de 2016. Escrito para o blog Delírios Intempestivos. 

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Uma visita inesperada!

Estou perturbado. Há algumas horas, senti-me constituído por duas almas, após a mais antiga revolucionar-se contra este Animal Musical e dar início há um problemão. Conhecendo tão bem meu corpo, ela chegou ao centro de controle tendo passado despercebida pelos guardas e pelas câmeras. Acredito até que ela ainda tinha as chaves do centro, pois vi que a porta estava fechada na hora em que minha alma recebia um belo de um cacete dessa desgramada. Sim! Eu só percebi quando ela já estava aos socos e chutes! Mas Porra! Que diabos ela queria? Eu sempre lhe mando cartas. Há muito que o faço! Precisava ter feito isso? A situação fica pior quando eu, neste momento, informo-lhes que a alma antiga ainda está por aqui. No quarto de visitas! Que, aliás, é ao lado da suíte da minha alma. Mas, para falar a verdade, ela não fez estrago algum. Seu mal foi o de uma picada de formiga! Acalmou-se após uma intervenção que fiz e a tentativa de diálogo com o auxílio da minha alma. Bastou eu começar a contar sobre as lembranças que tinha dela, das nossas pendências e das bobagens que fiz. Foi o suficiente para se sentar ao meu lado e começar a escutar com atenção. Seu sono? Surgiu como frio no inverno depois de eu dizer o seguinte:

”Eu sei, minha amada, que você tem razão em chegar aqui e fazer isso comigo e com minha alma… Se isso fosse feito por mais centenas de outras vezes e com um dano maior, ainda assim você teria razão! Mesmo com todas as dores! Sabe por quê?  Porque você é a minha alma! É! É o que você é! O fato de por todo esse tempo eu me referir a minha alma como se ela fosse você, não só te incomodou, mas também prejudicou-me demasiadamente. Foi como se eu tivesse escolhido só uma das pernas e lançado-me numa aventura nas montanhas. Sendo Saçi, jamais conseguiria! Agora, minha querida, faça igual sua irmã: beba uma água e se prepare para uma longa noite de sono. Amanhã teremos muito o que fazer.”

Embora o eu-lírico deste texto refira-se a si mesmo a partir de uma visão institucional (como um representante do Animal Musical) sua relação com ele é a de um braço direito, onde o anonimato deste torna-se irrelevante tendo em vista a total autorização daquele – Carapicuíba. 20 de maio de 2016. Escrito nesta madrugada perturbada para o blog Delírios Intempestivos.