Mês: novembro 2015

Seis aforismos sobre a morte

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A morte sempre nos dá um alerta: em vez de nos preocuparmos com a não-vida, deveríamos estar nos preocupando com a não-morte.

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O cristianismo chegou em nós e nos ofereceu a possibilidade de não mais morrermos. Mais que isso, a eternidade seria uma eternidade com o Bem supremo – uma vida superior a qualquer outra imaginável. O cristianismo, junto de Deus, morreu. Mas até hoje continuamos na angústia em relação à morte – uma vida eterna e boa para nós e quem amamos é como uma possibilidade fracassada.

3

Ao contrário do que muitos pensam, o maior inimigo da morte não é a vida, mas sim o amor. Não é à toa que lembramos dos nossos amados quando nos deparamos com a morte. O melhor amigo da vida é mesmo muito poderoso.

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A GRANDE CERTEZA? – Estamos todos condenados à morte. Essa é a nossa grande certeza. Tal conhecimento, porém, não é logicamente aceitável, uma vez que ele é baseado em um raciocínio indutivo. Então, podemos dizer muito bem que talvez não venhamos a morrer! É engraçado como a morte, mesmo sendo o não-ser, nos perturba em todas as coisas.

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Uma vida na qual a morte guia seu dono a ter uma boa vida, é uma vida sábia. Mas uma vida em que o medo da morte é tão forte a ponto de fazer com que a própria vida seja sacrificada por uma possibilidade futura de nova vida, é talvez uma vida tola.

6

A morte é um grande tema. Mas dela sabemos tão pouco que, toda vez que ela é o assunto, estamos falando mais de outras coisas do que dela em si. Isso é bom, e de certo modo até óbvio, já que falar da morte é falar do que não existe.

Isaias Bispo de Miranda – Carapicuíba, 24 de novembro de 2015.

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Amar é

1

Amar é mirar na amada tudo de bom que podes fazer, tentar com isso conquistá-la e se deparar que talvez o maior conquistado com tudo isso seja você mesmo.

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Amar é procurar e inventar razões que justifiquem seu amor ao mesmo tempo que sabes que a ama pois ela é ela.

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Amar é sentir-se um Aquiles de calcanhar imune que, depois de voltar vitorioso e intacto de Troia, dirá a sua amada: ”Tudo o que fiz, meu amor, foi por você.”

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Amar é não mais saber a diferença entre a sua boca e a dela. É cuidar de seu próprio corpo como nunca antes, pois ele também é ela. É fundir suas frequências cardíaca e respiratória com as dela. É tornar-se um especialista em harmonia. É poder, enfim, dizer ter amor-próprio.

Isaias Bispo de Miranda – Carapicuíba, 21 de novembro de 2015